BLOGAGEM COLETIVA NO DIA INTERNACIONAL DA MULHER.
Atendendo à convocação feita pela Luma, cujos textos costumo acompanhar incógnito, mas decidido a não deixar passar em branco esta importantíssima data, estou dando minha colaboração com algumas considerações sobre os efeitos das guerras e dos conflitos armados sobre as mulheres. Sei que outros blogueiros falarão sobre qualidades, virtudes, problemas, e um sem número de coisas relativas às mulheres. Talvez alguns ainda se lembrem dos flagelos sofridos por elas durante as guerras, os conflitos, as revoluções. Enfim, esta é a minha colaboração.
A Luma também escreve em Amigos da Blogosfera, onde deixou um texto bastante interessante sobre a valorização da mulher.
A VIOLÊNCIA CONTRA A MULHER EM TEMPOS DE GUERRA
No decorrer do último século e início deste, percebemos o aumento de atos violentos no mundo todo. Um dos mais violentos atos que existe, desde tempos imemoriais, é a guerra. E sabemos que existem diversas guerras, conflitos, revoluções, guerrilhas ocorrendo neste momento, ao redor do mundo. Talvez tenhamos mais consciência desse estado de violência devido à rapidez das comunicações, que trazem qualquer conflito na hora em que está ocorrendo, para dentro dos nossos lares. Lembremos que, nas últimas duas décadas, temos acompanhado conflitos em lugares como Sudão, Serra Leoa, Bósnia, Afeganistão, Iraque, Índia, Paquistão, Israel, Palestina, Líbano, Bálcãs, Chechenia, Timor Leste, Libéria, Nepal, Colômbia e, não menos violento, no próprio Brasil, com os enfrentamentos entre policiais e traficantes que acompanhamos pela TV, principalmente em São Paulo e Rio de Janeiro.
Esses conflitos provocam o aumento do sofrimento dos povos envolvidos, com grande ênfase na situação das mulheres, sujeitas a todo tipo de violência.
Alem dos riscos específicos das zonas de conflitos armados, as mulheres (de todas as idades) estão sujeitas a estupros, gravidez forçada e outros atos abomináveis.
Em vários paises ainda sofrem também a imposição cultural de situações desvantajosas e discriminatórias. Em qualquer parte do mundo sob conflito, os fatores que dificultam as vidas das mulheres são os mesmos: risco de violência, separação de membros da família, educação ou oportunidades de trabalho deficientes, acesso precário aos serviços de saúde.
A ainda recente velocidade de informação e maior abertura da mídia evidenciaram a ocorrência generalizada de estupros e das chamadas limpezas étnicas, assuntos antigamente considerados tabus, atraindo muito mais a nossa atenção. Porém, esse tipo de violência acontece desde que o ser humano começou a viver em sociedade, onde se originaram as disputas por poder. Hoje, tribunais penais internacionais consideram o estupro como um crime de guerra e contra a humanidade.
A recente ascensão de mulheres a postos importantes constitui um fio de esperança de melhoras para as condições do sexo feminino. E servem de inspiração para que outras mulheres se envolvam em mais ações políticas e humanitárias.
Quanto à proteção das mulheres, o dever e a responsabilidade de proteger todos os civis são primordialmente do Estado e das Autoridades. Todos os países que aderiram a tratados de leis internacionais têm o dever de implantar e implementar suas regras e, em casos da ocorrência de crimes, levar os responsáveis à Justiça.
Se as mulheres são obrigadas a carregar o fardo de tantos dos trágicos efeitos dos conflitos armados, não é por causa das falhas nas regras que as protegem, mas sim porque essas regras frequentemente não são seguidas.
A maioria dos conflitos armados da atualidade acontece em regiões de fronteira, com resultados devastadores para os civis, especialmente para as mulheres, mais expostas devido à proximidade com as lutas. Elas são assediadas, intimidadas e atacadas em suas casas. Acabam obrigadas a restringir sua liberdade de circulação, limitando o acesso à água, comida e assistência médica, assim como suas habilidades de sustentar as famílias, trocar informações e buscar apoio familiar e social. A ausência do parceiro, muitas vezes envolvidos ou desaparecidos no próprio conflito, aumenta a insegurança e os riscos para as mulheres que lideram famílias e para suas crianças. Além disso, as mulheres acabam assumindo sozinhas o fardo de sustentar e cuidar da família.
Este texto foi escrito com o intuito de provocar reflexão a respeito do assunto e não apontar soluções. Existem organismos internacionais envolvidos na busca de soluções, tanto para os problemas aquí levantados, quanto para a PAZ em geral. É um trabalho árduo, delicado e, infelizmente, sujeito a todo tipo de interesses e burocracia. E é importante ainda, lembrar que existem cada vez mais mulheres dedicando suas vidas, ou mesmo parte delas nessa busca.
Escrito por ozeca às 15h30
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Em janeiro de 2005, dediquei este conto a todos os amigos virtuais que faziam parte de minha vida desde o surgimento do Janelas Abertas, meu antigo blog. Hoje, republico-o homenageando os mesmos amigos e aos que me acompanham desde então.
O ANJO DA VIDA
Estava deitado num quarto solitário, banhado em suor. Diante de mim desfilavam todas as histórias vividas, felizes ou infelizes. O mais impressionante era que todos os personagens possuíam as mesmas feições, as mesmas características, as mesmas marcas. Em minha solidão e desespero, constatava que sem aprender nada, me envolvia com pessoas iguais às anteriores. E percebia, entre lágrimas doloridas, que àquela altura, não cabiam arrependimentos. A vida estava presa a mim por um tênue fio, fácil de romper-se a qualquer brisa. A solidão machucava minha alma. Ninguém ao meu lado, disposto a segurar minha mão naquele momento difícil. Nenhum olhar bondoso pousado, em meus olhos úmidos, com compaixão; uma mão que secasse as lágrimas que deixavam seu rastro em meu rosto pálido e sofrido. Sentia-me só e, tomando consciência disso, uma calma submissa ia se apossando do meu coração atormentado, dando-lhe alento naquele momento especial. Eu sabia claramente o que me aguardava. Sabia, sem nenhuma dúvida, qual era o momento pelo qual passava. E o medo inicial, transformado em dor e solidão, sofreu nova alteração, desta vez um sentimento de resignada aceitação.
Uma leve brisa entrou pela pequena janela fazendo as cortinas se agitarem. A princípio nada vi, sentindo apenas o frescor da aragem que aplacava um pouco a minha febre. Meus olhos, ainda úmidos, já estavam quase fechados, sem forças para olharem em volta, observarem o quarto e os poucos móveis que o compunham. As fortes luzes eternas da UTI os ofuscavam.
Pouco a pouco, meu corpo frágil começou a sentir uma presença diferente no acanhado quarto que lhe cabia em seus últimos momentos. Abrindo com esforço os olhos e passeando-os em volta, senti, a princípio, alguma dificuldade em distinguir alguém mais ao meu lado. Pouco a pouco, uma figura imponente foi tomando forma. Era jovem e de grande beleza. Suas vestes eram claras e leves e, formando uma figura extraordinária; enorme par de asas saía de suas costas, agitando-se levemente vez ou outra. Não ouvia sua voz, mas seus olhos meigos e carinhosos, fixos nos meus, transmitiam coragem, força, enorme bem estar. Minhas dores físicas haviam sumido e as dores da alma estavam aplacadas, embora fosse reconhecendo naquele belo rosto as mesmas feições de todas as pessoas que passaram pela minha vida.
A cada quase imperceptível movimento de suas enormes asas, leve brisa aplacava o calor que antes me banhava em suor. Suas mãos, agitando-se suavemente ao meu redor, sem tocar meu corpo, traziam alívio às dores que me corroíam até tão poucos minutos. E a cada movimento seu, doce e suave perfume difundia-se ao meu redor, dando-me incompreensível tranqüilidade. Em sua companhia a recente solidão parecia coisa de antigos pesadelos. Uma tranqüilidade incomum foi tomando conta de mim e me sentia cada vez mais disposto a levantar-me daquela cama e segui-lo para onde pretendesse levar-me.
Lentamente ele foi baixando seu rosto em direção ao meu, seus lábios rubros cada vez mais próximos. Não sabia se iria sussurrar-me algo ou presentear-me com um beijo. Quando seus lábios tocaram os meus, uma breve sensação de frio percorreu meu corpo como um arrepio. Seus braços enlaçaram-me e, com enorme facilidade, ergueram-me daquele leito de passagem. Senti-me flutuando, porém seguro pelos seus braços que transmitiam proteção e seu beijo terno, que transmitia amor. Arrisquei um olhar para baixo e vi, quase assustado, o meu próprio corpo marcado pelas doenças, inerte naquela cama solitária. Ainda sem entender muito bem o que acontecia, tomei consciência do meu corpo, enlaçado pelos firmes braços do anjo, revigorado e em todo o esplendor de sua juventude. Meus cabelos esvoaçavam suaves, minha pele tinha a textura de um pêssego e meu corpo perfeito, pairava livre, pelo espaço. O único elo com aquele passado tão recente era o anjo que, pouco a pouco foi deixando que meu corpo se soltasse e minha boca se abrisse em um sorriso feliz, talvez o primeiro dos últimos anos.
Ele olhou-me profundamente, sorriu pérolas e fez um suave gesto, convidando-me a segui-lo pelo espaço cravejado de estrelas. Sentia-me tão seguro que nem me passou pela cabeça a menor dúvida. Seguiria com ele para qualquer lugar.
E seguimos, lado a lado, flutuando pelo espaço enquanto percebia, surpreso, o nascimento de asas em minhas costas.
Escrito por ozeca às 10h27
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