Miriam e Roberto – 1ª parte
(ou o filho desconhecido)
Depois de um noivado frustrado, Miriam não via grandes horizontes para sua vida. Naquele tempo, uma mulher que não fosse mais virgem podia perder a esperança de um bom casamento e seu ex noivo, depois de tê-la seduzido, desaparecera, deixando com ela apenas as lembranças dos bons momentos que viveram juntos e um travo amargo na boca, por saber que dificilmente encontraria um homem que a amasse, respeitasse e com ela quisesse casar-se. Aos vinte e um anos já se considerava velha e desprovida de sonhos. Sua religião, que exigia cabelos e vestidos compridos, favorecia a imagem que ela passava para o mundo. Aos vinte e um, aparentava quarenta.
Por insistência do pai, voltou a estudar. Matriculou-se no Curso Normal e, dalí a três anos, iria exercer a função de professora primária, ensinando crianças.
Zorba era um garoto alegre e comunicativo, bastante popular no colégio e responsável pelo grupo da comissão de formatura. Ele estava terminando o ginasial e, como líder entre os alunos, visitava outras turmas, dando avisos e fazendo propaganda das festas e encontros. Com seus dezesseis anos, conservava ainda um pouco da pureza infantil, mas já possuía experiência com as meninas, por ser um grande namorador.
Miriam nunca soube explicar, mas quando viu Zorba na frente de sua sala de aula, avisando sobre a próxima festa, sentiu imediatamente vontade de aproximar-se dele e, dalí para a frente, vivia aguardando o momento de revê-lo. Passou a enrolar a saia na cintura para que ficasse mais curta e enrolava alguns fios de cabelo com saliva, soltando os pseudo cachinhos ao lado das orelhas e sobre a testa, para que seu rabo de cavalo sem graça ficasse um pouco mais sexy. Também comprou um batom vermelho para colorir seus lábios.
Como o garoto era um pouco experiente, logo percebeu os olhares daquela moça para ele e, em pouco tempo, já trocavam algumas palavras. Até que ele a convidou para ir ao cinema, num domingo à tarde. Encontraram-se algumas vezes, sempre nas tardes de domingo, até que um dia, convidou-a para ir à sua casa durante a semana. Nesse dia ele estaria sozinho em casa, pois seus pais trabalhavam fora e seu irmão havia saído com sua avó. Em pouco tempo estavam os dois na cama, consumindo-se em paixão. Ele, com seus hormônios em ebulição, trouxe à tona todos os calores e humores dela, em explosões de tesão e de desejos reprimidos. Eles se encontraram assim, algumas vezes. No colégio, algumas normalistas já comentavam. Algumas por inveja, pois adorariam estar seduzindo aquele garoto jeitoso e simpático. Outras, por falso pudor, pois na época era impensável um namoro entre uma mulher e um menino, com cinco anos de diferença entre os dois. O fato é que os dois não estavam nem aí para os outros e curtiram tudo o que lhes foi permitido naquele curto período, até que...
... ela apareceu estranha numa tarde de domingo. Suas palavras eram vagas e seu olhar revelava uma tristeza que ele não estava acostumado a ver. Depois de uma tentativa de conversa extremamente difícil, ela explodiu em lágrimas e contou que estava esperando um filho.
Continua...
Escrito por ozeca às 16h10
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AINDA SOBRE AS OITO COISAS...
Depois de mais de cinco anos no mundo dos blogs, e com mais uns dois na antiqüíssima época do Superencontros, onde mantinha um Diário, ainda me espanto com a repercussão imediata que algumas publicações nossas causam.
Quando lancei a campanha “Envie um Postal para mim”, recebi dezenas de e-mails de pessoas que curtiram a idéia e se propuseram enviar-me postais. Respondi todos os e-mails recebidos, menos um que, inexplicavelmente foi parar na pasta “rascunhos”. Para os que me informaram seus endereços enviei postal daqui e... fiquei aguardando os postais que, até hoje, não recebi todos. De uns setenta, acho que nem vinte cumpriram o prometido. Dessas poucas pessoas que me enviaram postais, três ou quatro enviaram mais de um e até livros eu ganhei. Não vou mencionar nomes para os agradecimentos, pois este texto é também um puxãozinho de orelhas nos outros. Quem sabe depois deste “desabafo” eu ainda receba alguns postais... risos.
Agora foi a vez das oito coisas que eu gostaria de fazer antes de embarcar em minha última viagem. Os comentários têm sido bastante interessantes, todos muito positivos e atenciosos. Mas o meu espanto vem dos vários e-mails que tenho recebido a respeito de um dos meus desejos: aquele onde falo sobre o filho desconhecido. Tenho recebido mensagens maravilhosas, de pessoas que se comoveram com a história sugerida pelo que eu disse e que me enviam solidariedade, compreensão e carinho. E todas são extremamente cuidadosas com o assunto, tocando-o de forma bastante delicada, talvez com o intuito de não me machucar ou de não invadir meus espaços.
AGRADEÇO do fundo do coração essas demonstrações de atenção, de carinho e de solidariedade.
AGRADEÇO todos os comentários feitos no próprio blog e todos os e-mails recebidos.
E a todos eu digo que vou escrever sobre o assunto, pois é uma forma excelente de espantar fantasmas do passado e resgatar partes de uma história que eu mesmo tenho mantido escondida nos cantos mais escuros de mim mesmo. É uma espécie de satisfação a essas pessoas que se mostraram tão delicadas comigo e com meus desejos de rever assuntos mal resolvidos do passado. E também de repensar uma fase obscura da minha própria vida. Quem sabe esse texto venha a ser o início da realização desse desejo?
Deixo a todos o meu agradecimento e a minha satisfação em tê-los como leitores e amigos.
Deixo também abraços e beijos para serem apanhados conforme sua preferência.
Escrito por ozeca às 21h52
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