Janelas do Zeca


 

 

À Cherry

 

Versão masculina do texto “Espiando a vida de outra”, em homenagem aos sempre deliciosos textos dela.

Este é do primeiro semestre de 2006...

 

 

DESPREZO

 

Eu Sei. E ela finge acreditar que nada sei. Seus olhos sorriem quando alguém comenta que ele perguntou por ela. Seu corpo se apruma, automaticamente leva as mãos aos cabelos, afofando-os e alisa as roupas que sempre lhe assentam tão bem. Como se ele pudesse chegar a qualquer momento. Até inventou um curso de pós-graduação, ela sempre tão preguiçosa com os estudos, talvez para desmenti-lo e surpreendê-lo. Se fosse por mim, ou até mesmo por ela, continuaria com sua vidinha de dona de casa (mediana), que aguarda as tardes de sábado para um cineminha e uma pizza à noite. Nessas saídas semanais (e rotineiras) mal trocamos algumas palavras e raramente ela me olha nos olhos. Nas poucas vezes em que não declara dor de cabeça, cansaço ou dor na coluna, fecha os olhos para sonhar que está entre os braços dele, deixando-o  vasculhar suas intimidades e inundá-la com sua semente. Depois, levanta-se imediatamente e toma um banho demorado para limpar-se de qualquer resquício do meu corpo, do meu carinho, dos meus beijos. Deita-se de costas e finge dormir imediatamente. Sei que ela lhe escreve longas cartas, jamais enviadas, guardadas num pequeno baú forrado de cetim lilás e amarradas com uma fita cor de lavanda. Quando ouve algum comentário sobre uma possível nova namorada, ela se exaspera e diz saber que aquilo é fogo de palha; não dura mais que alguns dias. Eu sei que ela se sente humilhada quando constata que ele não se interessa mais por ela. E não podendo fazer diferente, desconta seus humores em mim, estragando minhas camisas, deixando de preparar o jantar ou estourando meu cartão de crédito em compras desnecessárias. Eu sei que ela me despreza por ter pedido aos médicos o exame de DNA do filho que ansiamos por longos meses e não chegou a ver a luz, ouvir os sons, sentir os cheiros da vida. E eu ainda exigi o exame dele, que comprovou a paternidade já desconfiada. Quando relembra esses fatos ela me olha nos olhos. E seu olhar me machuca, como se cortasse fundo minhas carnes, como se arrancasse partes da minha própria existência. São chicotadas com pontas de ferro em brasa cujos ferimentos jamais cicatrizarão. Eu sei que o nome dele traz música aos seus ouvidos, e o meu traz o som dos grilhões que ela arrasta atrás de si, como expiação dos seus pecados. Ela não me deixa por querer que ele pense que somos um casal feliz. E tudo suporto calado, ruminando minha dor, pois sem seu desprezo eu seria o mais solitário e infeliz dos seres.

 



Escrito por ozeca às 13h50
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Currículum Vitae

(de um pobre coitado)

Sou um cara sem rumo, sem prumo e sem endereço fixo. Já fui soldado, hippie, bom moço, comunista, juventude transviada e agora sou socialista. De meu não possuo nada, apenas este enorme nariz que vive se enfiando onde não deve. Dois pés que vivem tropeçando um no outro e duas mãos que nunca sabem onde devem ficar. Ou o que devem coçar. Tenho também duas mudas de roupa, dois pares de meias furadas e um par de sapatos velhos que me acompanham aonde quer que eu vá.

Vejo o mundo por trás das grossas lentes de uns óculos cuja haste está presa por um esparadrapo sujo. Os olhos, desde menino, viraram um na direção do outro e nunca mais desviraram. Ouço bem, mas prefiro fazer ouvidos moucos, pois todas as palavras que ouço são loucas. Uma vez me disseram que sou tão gordo que as pessoas fazem cooper correndo em volta de mim. Não liguei a mínima pra isso.

Quando me interesso por uma mulher, minhas cantadas são ignoradas, mas algumas fazem a caridade de deixar-me descansar a cabeça entre suas coxas. Cheiro virilhas, cuspo pentelhos e, com as mãos, procuro-lhes os seios. O pequeno pau, duríssimo, acaba procurando seus caminhos e, quando não os erra, ejacula rapidamente. Depois corro pra privada e lavo o pequenino direitinho. Não sei por que elas acabam sempre me xingando, pois pago regiamente pelos seus serviços.

Nunca namorei, nem amei uma mulher. Nunca ofereci flores, bombons ou brilhantes. Nunca escrevi bilhetes ou cartas, nem telefonei para qualquer uma. Mas adoro apoiar a cabeça entre seios fartos e cheirar a mistura de sabonete e suor que emana deles. Por isso, quando encontro alguma incauta, dou-lhe camisas, meias e cuecas para lavar. Muitas ficam putas da vida e se vão, me deixando literalmente na mão.

É impossível explicar a angústia que bate quando sou estimulado por uma delas a entendê-la, olhá-la e vê-la. Eu as prefiro sem nome, endereço, telefone. Pago por noite, ou por hora e nem me despeço. Como bom socialista que sou, deixo-a livre para atender e saciar outro homem. Ou outra mulher, se ela quiser.

As mulheres são irritantes em sua mania de amar. E quando querem namorar, então? Tornam-se insuportáveis. Eu quero apenas continuar na minha solidão, podendo tê-las todas ao meu redor, para satisfazer meus instintos mais baixos quando me apetecer.

Me chamam de cretino, dizem que sou cruel e manipulador. Não quero ser julgado, nem tampouco amarrado. Quero apenas viver minha vidinha insípida sem arrastar ninguém atrás de mim. Talvez, se aprendesse a ser homem de verdade, pudesse permitir que algum sentimento mais nobre se apoderasse de mim, calando minha boca e mudando-me o olhar. Mas toda vez que uma mulher, cujo nome nem sei, fecha com a sua boca as minhas palavras, as suas pernas se abrem e meu pintinho enlouquece.

Não me acusem de machista, chauvinista, nem de politicamente incorreto. Sou apenas um pobre coitado, sem eira nem beira, que ainda não encontrou seu próprio lugar neste mundo louco, onde cada um quer garantir sua fatia de qualquer coisa.



Escrito por ozeca às 19h54
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AMIGAS E AMIGOS

do lado esquerdo do peito...

 

Ainda não estou pronto para retornar, pois assumi tantos compromissos ligados ao mundo das artes, que tenho estado praticamente vinte e quatro horas por dia voltado para isso. Estou preparando duas exposições importantíssimas para o Aecio.

 

A primeira, em setembro, será conjunta com um evento de moda, onde os quadros estão sendo preparados com os vestidos que serão usados pelas manequins que desfilarão entre os quadros. É mais ou menos assim: o artista pinta suas próprias modelos usando os vestidos da exposição, segundo sua própria concepção. Durante a exposição, as modelos profissionais, usando os vestidos, desfilarão por entre os quadros. Eu nunca vi isso, mas pode ser que fique bastante interessante. Esse desfile acontecerá em São Paulo e quando tiver todas as  informações sobre data e local eu aviso.

 

A segunda será mais convencional, no dia 30 de outubro, na Galeria Mali Villas Boas. Serão expostos entre 20 e 25 quadros, também em preparação, com a temática “Roupas de ver Deus”. É uma pesquisa do artista no Vale do Jequitinhonha, sobre as roupas que as pessoas usam aos domingos, dias santos e festas religiosas. Ele pintará seus modelos usando essas roupas. Mais detalhes ainda estão em discussão e é isso que está dando mais trabalho.

 

Eu estou preparando praticamente tudo sozinho, desde os preparativos burocráticos e financeiros, até os cuidados com release, flyers, convites e divulgação. São reuniões e tempo despendido, que só quem está fazendo é capaz de avaliar. Mas estou adorando esse trabalho todo!

 

Agora quero agradecer as visitas e os comentários sempre gostosos de: Boca, Dora, Índia (2), Grace, DO, Miguel, Betti, Camille, Luma (2), Elza, Marcinha (2), Tânia, Bruna, Jacinta, Batmarko, Jeanne, Dani, Loba, Dacio, Cherryzoca e Ilaine.

 

Agradeço também as visitas especiais de Angela, Neinha e Evanir, que apareceram pela primeira vez. Voltem sempre!

 

E para finalizar, deixo para todas e todos, beijos (amigos, apertados, carinhosos, amorosos, apaixonados, encantados, encarnados, sensuais, safados, molhados e de muitas outras variedades) e abraços (amigos, apertados, carinhosos, amorosos, apaixonados, encantados, encarnados, sensuais, safados, molhados e de muitas outras variedades ). Em ambos os casos, nunca desapertados, frouxos, sem gosto nem sal ou desligados. Escolha conforme suas preferências e, se tiver vontade, retribua que gostarei demais.

 

Até mais!

 



Escrito por ozeca às 14h13
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OLÁ, AMIGOS!

 

Ainda não voltei, mas passei para receber o carinho de vocês, parte da alimentação da minha alma.

Agradeço as mensagens de Beti, India, Tânia, Loba, Saramar, Miguel, DO, Dora, ALF, Luma, Grace, Bruna, Camille, Bené, Marcelo, Boca, Sissi, Cõllibry, De, Keila e L.Rafael Nolli. A atenção e o carinho de vocês tornou ainda mais luminosa esta minha tarde.

Comigo está tudo bem e em poucos dias estarei de volta, com algumas novidades.

Para quem gostar, deixo beijos alegres, amigos, coloridos, quentes, apaixonados, voluptuosos e carmins.

Para quem preferir, deixo abraços nas mesmas qualificações acima.

Se gostar de ambos, fique à vontade. Escolha o(s) de sua preferência e retribua, se desejar.

Até a volta!

 



Escrito por ozeca às 13h38
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AMIGOS,

estarei ausente da internet entre uma semana e dez dias.

Vou fazer uma pequena viagem para resolver algumas pendências e fazer alguns exames médicos de rotina.

Até a volta. Abraços e beijos a todos, conforme as preferências.

Para quem ainda não leu, no post anterior deixei um conto do qual gosto bastante.

 



Escrito por ozeca às 15h53
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Este é o conto que participou do concurso Off FLIP. Ele não foi classificado entre os três primeiros.

Mas eu gosto bastante dele.

 

 

UM ESTRANHO NO ESPELHO?!

 

 

Hoje pela manhã, a imagem refletida pelo espelho do banheiro deu-me a sensação de alegria e satisfação que sentimos diante de um rosto jovem, traços fortes emoldurados por bem tratados cabelos castanhos aloirados. O sorriso fácil e olhos brilhantes davam àquela imagem uma aura de juventude em busca de grandes realizações vida afora.

 

Após o banho, ainda envolto pelo aroma do sabonete, meus olhos se detiveram novamente na imagem do outro lado do espelho. Os olhos, ainda brilhantes, emoldurados por pequenos vincos em seus cantos externos e algumas rugas de expressão marcando a testa alta. O sorriso revelava lábios estreitos sob dois vincos que desciam das bases do nariz e terminavam nos cantos da boca. Os cabelos começavam a perder o tom dourado, ganhando fios brancos, o que lhes dava um leve tom prateado. A esperança da juventude cedera vez à austeridade da maturidade, com seus compromissos e obrigações.

 

Apertei o tubo de creme dental sobre a escova e desviei a atenção para o ato de higienização, consumindo aí alguns minutos. Terminado o processo, ao passar a toalha pela boca para secá-la, percebi na imagem refletida que a barba, totalmente grisalha, precisava ser feita. Preparei a espuma e o aparelho de barbear enquanto, vez ou outra, ousava dar uma espiada naquele rosto quase estranho que me fitava de volta. Cabelos ralos e totalmente prateados emoldurando um rosto de traços fortes, amenizado por olhos vincados sob uma testa alta carregada de rugas de expressão. Abaixo dos olhos, duas bolsas de gordura davam um ar de cansaço ao rosto que exibia lábios finos e cerrados, sem a sombra de um sorriso.

 

Terminado o ato de barbear-me, enquanto passava as mãos pelo rosto para certificar-me de que não havia escapado do aparelho nenhum fio branco de barba, uma leve sensação de satisfação devolveu ao olhar da imagem que me fitava através do espelho, um leve brilho enquanto seus lábios, ainda apertados, se alargavam num arremedo de sorriso. Bem espalhado nas mãos, o gel pós-barba provocou-me uma sensação de conforto e frescor ao ser delicadamente massageado sobre o rosto.

O estranho do espelho voltou a sorrir-me. Já era, agora, o sorriso doce e algo cansado de um ancião. Os poucos cabelos totalmente brancos precisavam ser penteados e as sobrancelhas igualmente brancas exigiam ser aparadas para não embaraçar o olhar direto e bondoso com que os olhos apertados insistiam em me fitar diretamente. Penteei cuidadosamente os cabelos e quando apanhei a tesourinha, tive a sensação de perceber um sorriso agradecido entreabrindo os lábios envoltos em rugas, deixando mais leve o conjunto de expressões que formava aquele rosto tão envelhecido.

 

Com cuidado, aparei as sobrancelhas, alguns pelos que saiam de dentro do nariz e outros que, teimosamente, saiam pelas cavidades das orelhas. Enquanto isso, permiti que meu olhar indiscreto examinasse a papada sob o queixo e, um pouco mais abaixo, os cabelos brancos que cobriam o peito do estranho no espelho, descendo sobre um abdômen um pouco proeminente. Os gestos com que ele procurava imitar os meus eram mais lentos e mostravam certa insegurança.

 

Um pouco constrangido com a minha própria indiscrição, esbocei um sorriso de desculpas e virei-lhe as costas. Saí do banheiro, soltei a toalha que cingia meu corpo e, com alguma dificuldade calcei meias brancas, vesti a cueca (sempre samba-canção) e, em seguida a calça jeans levemente desbotada e um pouco apertada na cintura. Sentei-me na beirada da cama para calçar os tênis com a ajuda de uma calçadeira e, por último, uma camisa pólo amarelo claro cuja etiqueta interna mostrava o tamanho G.

 

Antes de deixar o quarto não me esqueci de colocar em um parta-comprimidos os diversos que tomaria junto com o meu café da manhã. E ainda precisei voltar, pois havia esquecido de colocar entre os demais, aquele que mantém minha pressão arterial sob controle.

 

Esbocei um sorriso, fixei-o à boca e dirigi-me à cozinha onde minha esposa me aguardava pacientemente para, juntos, iniciarmos mais um dia destes nossos quase sessenta anos de casamento. Ao seu lado, sobre a mesa posta, uma caixinha de comprimidos.

 

 



Escrito por ozeca às 22h08
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UM BALANCETE DA FLIP

 

 

 

 

 

Como todos sabem, durante os cinco dias da FLIP, suas ruas se transformaram num efervescente ponto de encontro de amantes da literatura. Pelas vielas e becos, restaurantes e bares, era comum encontrar algum dos quarenta escritores, brasileiros ou estrangeiros, que participaram das dezenove mesas da programação. Foram vinte e dois autores brasileiros e dezoito estrangeiros. As tendas, dos Autores e do Telão, receberam cerca de trinta e cinco mil espectadores, além dos acessos via internet,com transmissão online das mesas, além da criação de um blog e dos vários vídeos postados no youtube.

Também na FLIPINHA E FLIP ETC, atividades que fazem parte da programação oficial da FLIP, os resultados foram animadores. Trinta e sete escolas da cidade desenvolveram ao longo do ano, trabalhos educativos com seus alunos. Foram reunidos vinte autores brasileiros que atraíram cerca de dez mil crianças que puderam interagir com esses autores, ouvir histórias contadas pelos próprios, acompanhar o desenvolvimento do processo de desenho de uma ilustração. Também aprenderam a criar bonecos de papel machê e poemas coletivos, além de poderem protagonizar peças teatrais, fazer apresentações musicais e de dança, sempre tendo como inspiração o homenageado do ano, Machado de Assis. A FLIP ETC apresentou uma mostra de cinema com filmes baseados na obra do escritor, uma exposição com fotos do Rio de Janeiro da época de Machado, peças teatrais adaptadas, entre outras atividades.

Para a economia da cidade, os reflexos são diretos. Durante todo o período, Paraty hospedou vinte mil turistas, que ocuparam e movimentaram pousadas, bares, restaurantes, lojas e ateliês, gerando recursos e ampliando o mercado na cidade. Foram duzentos e trinta paratienses contratados para a montagem e a realização da festa. E esses benefícios acabam se estendendo, pois os atributos naturais, turísticos e arquitetônicos de Paraty encantam e atraem cada vez mais visitantes. Inclusive os que conheceram a cidade pela sua participação na FLIP.

Cada vez mais esse evento de cunho internacional se consolida como um instrumento que contribui para que o município possa planejar o desenvolvimento futuro, suprindo carências de infra-estrutura e conscientizando-se da necessidade de preservação de todo esse patrimônio ambiental, histórico e arquitetônico, que é conhecido e reconhecido, além de respeitado, internacionalmente.

 

 

 

ENCONTRO DE PIANISTAS EM PARATY

 

E já no dia seguinte ao encerramento da FLIP aconteceu o I Encontro de Pianistas que se estendeu até o dia 16 de julho. Esse evento foi realizado pela Universidade Estadual de Campinas – UNICAMP e foi coordenado pelos professores Mauricy Martins e Sergio Gallo. Destinado a estudantes de piano interessados a se candidatar a quinze bolsas de estudo. Bolsistas e professores participaram de recitais abertos ao público, com entrada franca, na bela Igraja Nossa Senhora do Rosário, no Centro Histórico.

Mauricy Martin é professor de piano no Departamento de Música da UNICAMP e já se apresentado nas principais cidades brasileiras como recitalista e sob a regência dos maestros Benito Juarez, Julio Medaglia, Ayrton Escobar, Lutero Rodrigues, Eduardo Ostergren e Cláudio Cruz e nos Estados Unidos nas cidades de Nova Iorque, Boston, Indianapolis e Chicago, Raleigh, entre outras.

Sergio Gallo é professor da Georgia State University em Atlanta, onde dirige a área de pedagogia de piano. Foi também professor da Universidade de Dakota do Norte e da Millkin University. Apresentou-se em vários paises da Europa, Ásia e Américas. Recentemente foi escolhido como artista da Bosendorfer.

 

FESTA DE SANTA RITA

 

Estamos em plena Festa de Santa Rita, com encerramento previsto para o próximo dia 20 de julho. Durante o período da festa religiosa, ocorrem vários eventos, com uma ‘quermesse’ no largo em frente à igreja, missas e procissões diárias (com banda e tudo!). Já no dia de encerramento da FLIP, os organizadores da festa trocaram as bandeirinhas multicoloridas que enfeitavam nossas ruas por outras em branco e amarelo. Assim, as ruas permanecem enfeitadas e com aquele ar festivo que tanto agrada aos nossos olhos como aos dos turistas que nos visitam.

 

I FESTIVAL MIX DE CINEMA

 

No próximo final de semana, de 25 a 27 de julho, o Cineclube Paraty e a Casa da Cultura promovem o I Festival Mix de Cinema, com temática GLS. É uma mostra reduzida do Festival Mix Brasil, com filmes recentes, nacionais e internacionais, que abordam a temática da diversidade sexual. Na abertura do festival será lido o conto “Aqueles Dois” de Caio Fernando Abreu. E dois quadros de Aecio Sarti recepcionarão os visitantes da Casa da Cultura durante o evento. Um deles com dois homens e outro com duas mulheres.

 

III ENCONTRO DE REDATORES PUBLICITÁRIOS

 

No primeiro final de semana de agosto, a Casa da Cultura de Paraty sediará o III Encontro de Redatores Publicitários, cujo objetivo é reunir redatores e publicitários para estimular o debate e o intercâmbio de informações, com palestras, exposições de anúncios, lançamento de livros e homenagem a redatores consagrados. A iniciativa do evento é da Associação Latinoamericana de Agências de Publicidade, com apoio dos Clubes de Criação do Rio e de São Paulo.

O tema será “O Caminho do Ouro” e o desafio é criar um texto com o objetivo de incentivar o turismo ecológico de Paraty, destacando o Caminho do Outro como um dos mais belos e ricos roteiros turísticos do Brasil.

Maiores informações poderão ser obtidas no site www.alaprio.com.br

 

Como se pode ver, a cidade inteira está evolvida com temas culturais, suas manifestações e resgates.

A imagem que ilustra este texto é uma superposição realizada por Guilherme Sena. É uma vista da cidade de Paraty sobre lona reciclada de caminhão, material utilizado por Aecio Sarti em suas pinturas.

 



Escrito por ozeca às 11h47
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CENSURA NA INTERNET – CENSURA NOS BLOGUES

 

Muitos de vocês também conhecem o Luz de Luma, um blogue inteligente, onde sempre são abordados assuntos de interesse geral. A Luma, muitíssimo bem informada, apresenta seus textos com conhecimento de causa, em linguagem culta e clara. E um número significativo de leitores a visita diariamente, com respeito e admiração.

 

luzdeluma

 

Fiquei espantado ao visitá-la no último domingo e ser direcionado para uma página de censura (isso mesmo! Censura!), que informava a existência de textos ou imagens que poderiam ser ofensivas, exigindo que optasse entre seguir em frente ou não abrir a página. “Mas como? Luz de Luma?! Acho que, por algum erro do meu computador, estou entrando no endereço errado! Vou tentar de novo!” Saí dalí, refiz a operação e, novamente, a página de censura! Resolvi entrar para tirar a dúvida. E não é que era mesmo o blogue da querida Luma?!

 

Num texto publicado em 11/7, que revela toda a sua indignação (e a nossa também!), ela explica que o motivo da censura só pode ser devido à hipocrisia de alguém que julgou alguma coisa imprópria em seus textos (ou de alguém invejoso, incapaz até mesmo de imitar o estilo elegante da Luma escrever).  Mas isso é um absurdo, pois podemos procurar por toda a longa existência desse blogue, que não encontraremos absolutamente nada ofensivo a ninguém. Pelo contrário, encontraremos apenas textos inteligentes, interessantes e muitos de utilidade pública, pois ela costuma abraçar causas justas e propor ou participar de blogagens coletivas. Talvez (pasmem!), alguém tenha se “chocado” com uma foto que apresentava seios nus, como se esse tipo de imagem ainda pudesse chocar alguém! A televisão mostra peitos e bundas, cenas de sexo quase explícito e todos assistem. Desde o vovô e a vovó, até os netinhos, passando pelos adolescentes, todos cansados de ver essas imagens diariamente, que já viraram até imagens absolutamente normais.

 

Num país como o nosso, onde pessoas com processos na justiça podem se candidatar a cargos eletivos e, uma vez eleitos, acabam se livrando dos processos, somos obrigados a conviver com analfabetos funcionais e hipócritas, que se chocam diante de uma foto que mostra seios femininos!!!

Num país como o nosso, onde o governo vem fazendo esforços para coibir a liberdade de expressão, direito constitucional conquistado a duras penas!!!

Num país como o nosso, onde vemos que os políticos usam e abusam dos seus “poderes” para manipular conforme seus interesses escusos, o uso da ética, da honra e do decoro!!!

Num país como o nosso, onde um Senador do PSDB-MG (Eduardo Azeredo) consegue aprovar pela Comissão de Constituição e Justiça do Senado, um projeto para regular a internet no Brasil, projeto esse que já se encontra em plenário para aprovação!!!

Num país como o nosso, onde membros do governo são acusados, investigados, julgados e nada lhes acontece, tudo transformado em pizzas gigantes e indigestas para nós, pobres mortais, que ainda por cima somos obrigados a pagar as contas de incontáveis festins!!!

 

Está mais do que claro que já passou da hora de nos conscientizarmos que somos todos responsáveis por esse descalabro governamental em que vivemos. Somos responsáveis por termos, levianamente, dado procurações com plenos poderes para que os candidatos que elegemos (sem ao menos conhecê-los) nos representassem, sem que fossemos sequer consultados antes de tomarem decisões importantíssimas em nosso nome. Somos responsáveis por não discutirmos apaixonadamente, como fazemos com o futebol ou com as tramas das novelas televisivas, os problemas que afligem nosso país e as ações das pessoas que o dirigem em nosso nome. Somos responsáveis por não procurarmos informações sobre os candidatos em quem pretendemos votar e, muitas vezes, votarmos em “qualquer um, pois são todos iguais”, ou naquele que aparece mais nas campanhas eleitorais, ou ainda naquele que o patrão mandou ou o amigo recomendou. Somos responsáveis por não consultarmos o site Transparência Brasil, que nos disponibiliza informações sobre os candidatos. Somos responsáveis por não honrar nosso título de eleitor, conquistado após muito tempo de lutas contra diversos impedimentos inventados pelos detentores do poder para impedir que negros, mulheres, pobres, menores, analfabetos – em seu total a imensa maioria do povo brasileiro – opinassem sobre quem deveria, democraticamente, nos representar nas decisões que serão responsáveis pelo futuro do nosso país. Somos responsáveis quando, por ignorância, preguiça, inércia, simplesmente jogamos nosso voto no lixo. Somos responsáveis por não respeitarmos o princípio de que todos os indivíduos são iguais, dignos de respeito e com os mesmos direitos, discriminando minorias e “dando um jeitinho” de não nos darmos mal. Somos responsáveis pelo enorme grau de corrupção deste país, oferecendo propina ao guarda de trânsito, dando uma caixinha ao garçom para nos atender antes e melhor, calando quando o caixa do supermercado se engana no troco e nos devolve um pouco a mais. Somos responsáveis pela degradação da natureza, quando esbanjamos energia elétrica, mantendo luzes desnecessariamente acesas, tomamos banhos demorados, “varremos” a calçada com jatos de água, jogamos um papel sem serventia no chão, levamos o cãozinho para passear e não recolhemos o cocô que o bichinho faz na rua. Somos responsáveis por todo e qualquer ato que tomarmos, quer gostemos disso ou não.

 

Aos que querem começar agora a assumir suas próprias responsabilidades, um bom exercício é assinarem a petição contra o projeto do Senador Azeredo (que quer regular a internet no Brasil) e visitarem o blogue do Sérgio Amadeu para se manterem a par dos resultados. Outro exercício importante é refletirem sobre as responsabilidades que mencionei acima (além de muitas outras) e começarem a assumi-las como seres humanos e como cidadãos.

 

E vamos todos nos unir e agir no sentido de espalhar os direitos e deveres de cidadania entre nossos familiares, amigos, vizinhos, conhecidos. O inicio de tudo, todos sabem, está em cada um de nós.

 

E agora uma proposta: não se trata de uma blogagem coletiva, pois não tenho conhecimento nem experiência suficientes para administrar uma. Caso alguém mais experiente nessas coisas se disponha a fazê-lo, conte com meu apoio. A minha proposta é que cada um de vocês faça um ou mais textos expondo suas opiniões, suas indignações e propondo atitudes a exemplo da que propus acima (e que já foi proposta pelo Sérgio Amadeu e pela própria Luma), de assinar a petição contra o projeto do Senador Azeredo. Pesquise um assunto e proponha algo a respeito. Cada um de nós tem diversos leitores, alguns em comum, outros não. Assim, formaremos uma corrente de opiniões, de exposição da nossa indignação, de luta a favor da ética, da integridade, da justiça e da honradez. E, muito importante, uma corrente a favor da liberdade de expressão e contra qualquer tipo de censura.

 

 

 

Este selo foi recebido com muito carinho, da Jeanne, do blogue Consciência e Vida, este sim, um blogue que se destaca por seu brilho, nos transmitindo mensagens e ensinamentos maravilhosos. Após receber este prêmio, devemos postá-lo e citar os nomes dos premiados, escolhendo, no mínimo, 7 blogues que consideremos brilhantes em sua disciplina ou concepção.

  

Como não conseguí selecionar apenas sete e acabaria selecionando todos os incluídos em minha lista de preferidos, prefiro deixar o selo à disposição de quem quiser recebê-lo e repassá-lo para os seus eleitos.

 

Obrigado, Jeanne, pela sua amizade e pelo seu carinho.

 



Escrito por ozeca às 12h33
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CONSIDERAÇÕES (MINHAS) SOBRE A FLIP 3

 

Das conversas que tive com as pessoas que viram todas as mesas da FLIP, concluí que um dos debates que mais chamou a atenção foi o que reuniu a escritora gaúcha Cíntia Moscovich, a inglesa Zoë Heller e a portuguesa Inês Pedrosa, de quem já tive a oportunidade de ler alguns livros. Elas discutiram sobre a literatura e o mundo sob a visão feminina, tendo um homem como mediador, o também português José Luis Peixoto.

A escritora gaúcha falou sobre seu último livro “Por que sou gorda, mamãe?”, a inglesa “Anotações sobre um escândalo” e a portuguesa “Fica comigo esta noite”. Os temas discutidos foram tão controvertidos quanto falar sobre a obesidade feminina, sobre as relações com as mães, sobre relacionamentos de mulheres bem mais velhas que os homens. Falou-se em pudores e preconceitos com relação à sexualidade. Inês Pedrosa falou mesmo sobre a forma castradora como a sociedade portuguesa chega a tratar grandes autores  quando estes expõem de maneira mais crua a questão do sexo. O mediador chegou a declarar-se surpreso por ler, nas primeiras páginas de Heller, sobre a masturbação quase compulsiva de uma mulher.

Daquí já dá para concluir que diversos temas podem ser aproveitados por nós, blogueiros, para levantar discussões. Afinal, tabus e sexo continuam andando juntos.  

Por outro lado, parece que a mesa mais divertida foi a do mineiro Humberto Werneck e do cearense Xico Sá, onde trocaram frases engraçadíssimas, contaram histórias divertidas, falaram muitos palavrões e extraíram gargalhadas do público presente. O tema principal da conversa que foi intermediada por Paulo Roberto Pires, girou em torno da obra do poeta, compositor e boêmio Jayme Ovalle, símbolo do modernismo carioca. Eu não tenho muitas informações sobre Ovalle, mas parece que a razão do sucesso dessa mesa foi mesmo a informalidade e a desenvoltura dos participantes.

Na segunda-feira, pela manhã, o céu de anil exibia a luz do sol em todo o seu esplendor, pássaros cantavam e as bandeirolas continuavam enfeitando as ruas da cidade. Mas a sensação de ressaca era enorme, pois as ruas pareciam vazias, embora ainda houvesse muita gente transitando pra lá e pra cá. Várias pessoas ainda permaneceram mais uns dias na cidade. Mas a grande maioria já tinha partido no domingo à tarde. As conversas pelas ruas, continuava girando em torno da FLIP, e isso durou vários dias. Aliás, ainda hoje se comenta sobre isso.

A desmontagem dos galpões e das instalações todas foi rapidíssima e, já na segunda-feira as ruas estavam limpas, sem parecer que ainda no dia anterior havia um clima de festa com milhares de pessoas circulando por aqui. Isso é que é um evento bem organizado!

E o saldo foi positivo para todos. Os visitantes se foram satisfeitos, os moradores ficaram com aquela gostosa sensação dos bons anfitriões e hoteleiros e demais comerciantes ficaram contabilizando lucros. Sem contar que, mais uma vez, a FLIP mostrou que veio para ficar e para inscrever definitivamente o nome de Paraty como um dos destinos culturais e artísticos do turismo brasileiro.  

 

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Escrito por ozeca às 14h32
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CONSIDERAÇÕES (MINHAS) SOBRE A FLIP 2

 

 

E A FLIP CONTINUAVA...

 

Passei os dias entre a galeria e algumas escapadelas até a tenda do telão, ao lado da Igreja Matriz, para uma espiadinha em alguma palestra mas também aproveitando para as inevitáveis paqueras que acontecem nas aglomerações de gente bonita.

 

A montagem estava belíssima, com os pavilhões contando com excelente infra-estrutura e visual limpo e elegante.  Pelas ruas da cidade, enfeitadas com bandeirinhas multicoloridas, misturavam-se ao povo, cenas protagonizadas pelos atores que fazem estátuas vivas e os Bonecões do Jubileu, vestidos e manipulados por crianças locais. Restaurantes lotados faziam com que os retardatários que não queriam correr o risco de perder a próxima mesa, procurassem lanchonetes também lotadas ou até mesmo os carrinhos de sanduíches. Afinal, até mesmo os apreciadores culturais precisam alimentar-se.

 

Pelas esquinas da cidade, aquí e alí, grupos musicais encantavam a população que, semelhante a enorme procissão, se dirigia para todos os lugares, embora sem nenhum ponto específico em vista. Estavam apenas passeando e se divertindo com o clima de festa que reinava.

 

Sábado foi o dia da premiação dos vencedores dos concursos de contos e poesias realizados OFF FLIP. Uma amiga argentina, moradora daqui foi a terceira colocada em poesia e a Márcia Maia, amiga blogueira conquistou o segundo lugar. A Dora, a Ana e a Zélia passaram por aqui para ver se eu poderia ir com elas, mas infelizmente, devido ao movimento grande, fui obrigado a ficar. Eu concorri na categoria contos, não fui contemplado com nenhum prêmio, mas o conto será publicado aqui nos próximos dias.

 

Aquí em frente, temos a galeria da artista plástica e arquiteta Ana Sierra, com lindos quadros. Logo adiante, o atelier do Cizinho, um dos melhores ceramistas da cidade, com peças belíssimas. Mais adiante, a Igreja Santa Rita, cartão postal da cidade. Ainda em frente à galeria, existe também uma creperia chamada Farandolé, que serve uns crepes deliciosos, com receitas trazidas diretamente da França, pelos proprietários. O meu predileto é de espinafre com queijo fresco. Além das mesas internas eles têm também algumas no meio da rua, o que dá um charme todo especial à própria rua. À noite eles servem deliciosos caldos, como um de abóbora com aipim, ou o tradicional caldo verde, além de outros igualmente saborosíssimos. Foi nessa creperia que nos sentamos na sexta-feira à noite, a Dora e o Luís, a Ana, a Zélia e eu. E como com a proximidade da madrugada o frio começou a incomodar, a Ana Sierra gentilmente nos ofereceu uma enorme mesa em seu atelier, para onde nos transferimos e onde permanecemos animadíssimos até a triste hora de nos separarmos para o necessário descanso de todos.

 

No texto anterior eu comecei a fazer alguns comentários a respeito de algumas palestras, pois pretendia publicar um texto por dia. O excesso de movimento na galeria acabou não permitindo essas postagens e, porisso, deixo comigo as anotações e, se puder, nos próximos dias contarei alguma coisa a respeito.

 

Ontem foi o último dia do evento e a grande maioria das pessoas já voltou para suas casas, deixando na cidade a sensação de ressaca que fica sempre que termina um período de muito movimento. Os assuntos, nas ruas, ainda giram em torno da FLIP, mas as pessoas já começam a retomar suas rotinas. Como estamos em julho, muita gente permanece ainda na cidade, aproveitando as férias de inverno. E agora, até o final do mês, o movimento será equilibrado entre moradores e turistas.

 

Nos próximos dias tem mais comentários...

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Escrito por ozeca às 11h08
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CONSIDERAÇÕES (MINHAS) SOBRE A FLIP

 

Logo no primeiro dia, tive o prazer de conhecer a Dora e seu marido Luis, que se mostraram muito mais simpáticos do que por e-mail ou telefone. Foi um encontro daqueles em que a conversa flui e se torna difícil fazer parar. Até na hora da despedida a gente vai esticando o braço, sem conseguir soltar o abraço carinhoso. Dá vontade de ficar juntos o tempo todo. Ontem mesmo, entre caldos, vinhos e muito papo, fomos agraciados com o som da Karina e do Gui, que eu mesmo convidei para a cantoria. E o prazer se estendeu até a madrugada, que nos forçou a separação. Estavam também a Ana, adorável irmã da Dorinha e sua amiga Zélia, também agradabilíssima.

Enquanto eu me deleito com acompanhia deles, a FLIP vai transcorrendo, num clima de festa e de encantamento.

Eu não tenho participado das palestras nem dos shows, pois acabo tendo palestrantes e artistas ao vivo, na galeria e o papo sempre rola descontraído, agradável e proveitoso.

Não consigo pedir autógrafos, mas sei que deveria! Afinal, não é sempre que estamos na presença de grandes autores. Mas todos têm seus pontos fracos e esse tipo de timidez é um dos meus. Mas a presença deles, ao vivo e a cores, apreciando e comentando as obras de arte da galeria, já me deixa bastante satisfeito.

A abertura oficial da FLIP aconteceu com uma palestra de Roberto Schwarz, uma das maiores sumidades em Machado de Assis, traçando um perfil do homenageado, o bruxo do Cosme Velho. Ele se baseou em Dom Casmurro, comparando a loucura que é capaz de ser provocada pelo ciúme e terminando com o questionamento sobre o que deveria Bentinho ter feito a Capitú.  Ele discorreu sobre os ciúmes, sobre as classes sociais, sobre o poder patriarcal e até sugeriu três formas de leitura da obra: uma romanesca, outra patriarcal e policial e, por fim, de efeito contra a corrente, cujo narrador é o próprio réu. Sobre a possível influência de José de Alencar sobre Machado de Assis (sempre reconhecida pelo último), Schwarz disse que o homenageado sempre a usou para mostrar ao próprio Alencar a forma correta de se fazer literatura.

A psicanalista e historiadora francesa Elisabeth Roudinesco, lançando o livro “A Parte Obscura de Nós Mesmos: Uma história dos Perversos”, disse que, de certa forma, o Brasil está presente em seu livro, pois foi numa conferência em Belo Horizonte, em 2004, que surgiu a inspiração para esse livro, que trata de perversão vista como parte fundamental da sociedade. Ela procura ultrapassar a questão do bem e do mal, que considera intrínsecos ao homem. Em sua conferência, ela enfatizou Sade, o Nazismo, o terrorismo islâmico extremista, a zoofilia e a pedofilia, um dos grandes males que tanto nos preocupam na atualidade. Segundo ela, o sentimento de prazer pelo mal está ausente do mundo animal, que não sentem prazer com a morte ao contrário do homem. Ela chegou a tocar temas controversos como os mitos de mal e de perverso que, com o passar do tempo, perderam essa qualidade, como homossexuais, mulheres histéricas e crianças que se masturbam. Tudo isso, que antigamente era condenado e punido pela sociedade como algo perverso, não é mais, já que ficou claro tratar-se de um erro de julgamento.

O traçado feito por ela entre literatura e psicanálise mostra bem os limites entre o bem extremo e o mal extremo, dando como exemplos “O Retrato de Dorian Grai” (Oscar Wilde), a mais incrível fábula sobre perversão e “Metamorfose”(Franz Kafka), com a linda alma do homem monstro.

 

Amanhã ou depois tem mais...

 

 

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Escrito por ozeca às 16h30
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No ar, um clima de festa. As pessoas pelas ruas distribuem sorrisos e trocam cumprimentos. Sente-se a expectativa de algo grandioso que está por acontecer.

Hoje é o primeiro dia da FLIP, o Festival Literário Internacional da Paraty, do qual falo um pouco mais no post anterior. E a cidade inteira se preparou para receber todos os autores e personalidades nacionais e internacionais, bem como todos os demais visitantes que lotaram hotéis, pousadas e até casas particulares.

Na galeria, desde ontem, recebo muitas pessoas interessantíssimas que, se não compram um quadro, têm um comentário culto e inteligente sobre os mesmos ou sobre arte em geral.

Ontem trabalhei dobrado e, pelo que estou vendo, continuarei nesse pique até domingo. Talvez não possa curtir todos os eventos, todas as palestras, mas de qualquer forma, conversar com pessoas interessantes sempre vale a pena. Sem contar que, normalmente, os autores e as personalidades acabam dando uma passadinha por aquí, que, modéstia à parte, é uma das melhores galerias de arte da cidade.

Se alguém quiser conhecer os últimos trabalhos dele, inclusive os que estão participando de uma exposição na Galeria Traza Arte, em Buenos Aires, acessem nosso blog: http://aecio-sarti.blogspot.com

E estou aguardando ansiosamente o momento de conhecer pessoalmente a minha amiga Dora e seu marido Luís. E na expectativa de conhecer algumas outras pessoas que participam da blogosfera. Por todos esses motivos, sei que não terei condições de visitar todos os amigos. Mas a partir da próxima segunda-feira, voltarei a colocar em dia minhas visitas e comentáros.

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Escrito por ozeca às 10h58
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ALGUMA COISA SOBRE A FLIP

 

Existem alguns festivais literários em torno do mundo, como os de Berlim, Edimburgo, Toronto, e outros. Desde 2003, a cidade de Paraty foi incluída nesse roteiro cultural, com a realização do 1º Festival Literário Internacional de Paraty. Contando com autores conhecidos e respeitados internacionalmente, como Eric Hobsbawn, Julian Barnes, Hanif Kureishi, Don De Lillo, além de personalidades do primeiro time cultural brasileiro, a primeira FLIP ficou conhecida pelo padrão de excelência.

O êxito dessa primeira edição, facilitou a aceitação de convites por outros grandes nomes da literatura mundial, como Salman Rushdie, Ian McEwan, Martin Amis, Margaret Atwood, Paul Auster, Anthony Bourdain, Jonathan Coe, Jeffrey Eugenides, David Grossman, Lidia Jorge, Pierre Michon, Rosa Montero, Michael Ondaatje, Orhan Pamuk, Colm Toíbín, Enrique Vila-Matas, Jeanette Winterson, J. M. Coetzee e Marcello Fois.

Entre os mais talentosos autores brasileiros, já estiveram na FLIP personalidades como Ariano Suassuna, Ana Maria Machado, Milton Hatoum, Millôr Fernandes, Ruy Castro, Ferreira Gullar, Luis Fernando Verissimo, Zuenir Ventura, Barbara Heliodora, Ruy Castro e Lygia Fagundes Telles, além de ícones da cultura brasileira como Chico Buarque e Caetano Veloso.

Todos os anos uma personalidade das letras brasileiras é homenageada na FLIP. Na primeira, em 2003, foi homenageado o poeta e compositor Vinicius de Moraes. No ano seguinte, o homenageado foi o autor João Guimarães Rosa e em 2005 foi a vez de Clarice Lispector. Em 2006, o homenageado foi Jorge Amado, em 2007, o jornalista e dramaturgo Nelson Rodrigues e, neste ano,  o ano do centenário da morte de Machado de Assis, o homenageado é o escritor carioca, um dos mais importantes escritores nacionais.

A 6ª edição da FLIP, acontecerá de 02 a 06 de julho próximo,

Os shows de abertura, já valeriam uma visita a Paraty. Já se apresentaram Chico Buarque, Paulinho da Viola, Gilberto Gil, Caetano Veloso, Mônica Salmaso, Adriana Calcanhoto e José Miguel Wisnik, a Orquestra Imperial e Maria Bethânia.

A programação principal acontece na Tenda dos Autores e é transmitida ao vivo na Tenda do Telão. Vários outros eventos ocorrem simultaneamente em diversos locais. A Oficina Literária, destinada a jovens aspirantes a escritor e realizada por grandes autores brasileiros e internacionais.

Há também uma programação exclusiva para as crianças – a FLIPINHA –, em que jovens estudantes de Paraty apresentam o resultado de seus trabalhos inspirados no universo literário e participam de palestras com autores convidados.

 

O sucesso da Festa também estimulou o desenvolvimento de uma programação de leituras, shows, concursos literários e lançamentos de livros, batizada de Off-FLIP.

Paraty é uma cidade litorânea da baia da Ilha Grande e rodeada por grandes faixas ainda intactas de mata atlântica. Localizada a aproximadamente quatro horas de carro do Rio de Janeiro e de São Paulo, esse antigo porto, de onde se enviava a maior parte do ouro do Brasil ao Velho Mundo, é uma cidade histórica que atrai muitos eventos culturais. Poucos locais poderiam ser mais agradáveis para sediar a FLIP que esta charmosa cidade. Suas ruas de pedra propiciam encontros casuais proveitosos, enquanto restaurantes e bares convidam a um bate-papo descontraído. As pousadas e os serviços oferecem excelente padrão de qualidade.

 

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Este selo eu ganhei da Keila, a Loba, a quem agradeço pela amizade e